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Meninas melhoram desempenho em matemática e se igualam a meninos, aponta Unesco

A publicação também traz avaliação na área de protuguês

01/05/2022 às 14h32
Por: Joabe Reis Fonte: R7.com
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Meninas melhoram desempenho em matemática e se igualam a meninos, aponta Unesco

A diferença do desempenho de meninas e meninos em matemática, na educação básica, diminuiu, segundo revela relatório da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), divulgado nesta semana.

Ele analisa as diferenças de gênero em 120 países, entre eles o Brasil. Segundo a publicação, a disparidade caiu nos últimos 20 anos, mesmo em países mais pobres e, em alguns locais, as meninas superaram os meninos nessa área.

Esse é o caso, por exemplo, da Malásia, onde a diferença em matemática é a favor das meninas: 7%. No Camboja, essa diferença é de 3%, 1,7% no Congo e 1,4% nas Filipinas.

A publicação Deepening the debate on those still left behind, ou Aprofundando o debate sobre os que ainda ficam para trás, em português, é um documento de gênero anual da Unesco que analisou dados do ensino fundamental e médio, tanto de desempenho quanto de permanência na escola.

Avanços

"Nos últimos 20 anos, avanços gigantescos foram feitos na educação de meninas e mulheres. Hoje, praticamente tanto meninas quanto meninos podem ter acesso à aprendizagem e completar os estudos — a diferença entre os gêneros é agora inferior a 1%", afirmou, no relatório, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay.

Em relação à matemática, os dados mostram que, nos primeiros anos do ensino fundamental, os meninos têm desempenho melhor do que as meninas, mas essa diferença desaparece ao longo do percurso escolar.

Mesmo com a redução das disparidades, os números mostram que preconceitos e estereótipos ainda podem afetar os resultados da aprendizagem. Os meninos ainda têm muito mais probabilidade que as meninas de estarem entre os melhores desempenhos em matemática em todos os países.

Outra área que evidencia desigualdades é ciências. Em países de renda média e alta, as meninas têm notas significativamente mais altas em ciências, mas elas ainda são menos propensas a optar por carreiras científicas, revelando, de acordo com a publicação, que os preconceitos de gênero ainda podem ser obstáculo para a busca de educação adicional nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

"De fato, para que todos os alunos sejam iguais, os atores da educação devem colocar a igualdade de gênero no centro de suas ações", ressaltou Audrey. 

Leitura

Em leitura, o desempenho das meninas é superior em relação ao obtido em matemática e ciências. Além disso, mais meninas atingem proficiência mínima em leitura do que meninos.

A maior lacuna na educação primária está na Arábia Saudita. Enquanto 77% das meninas atingem proficiência mínima em leitura na 4ª série, esse número é de 51% entre os meninos. Na Tailândia, as meninas superam os meninos em leitura em 18%, na República Dominicana, em 11% e no Marrocos, em 10%.

Mesmo em países onde meninas e meninos estão no mesmo nível de leitura nas séries iniciais, como na Lituânia e na Noruega, a diferença em favor das meninas aumenta para cerca de 15% aos 15 anos.

Desigualdades

O relatório apontou ainda violência de gênero, gravidez e casamento precoces como motivos para mulheres abandonarem ou atrasarem os estudos. Cerca de uma em cada cinco adolescentes na Nigéria e 10% das adolescentes em Serra Leoa estão afastadas da educação por conta de casamentos ou gravidez precoces.

"Meninos e meninas não enfrentaram as mesmas consequências em todos os países em termos de acesso e uso de dispositivos e riscos de gravidez precoce", destacou o levantamento.

A pandemia de Covid-19 pode também agravar as desigualdades. Segundo o levantamento, alguns pais ou responsáveis em Bangladesh, Jordânia e Paquistão estavam relutantes em dar às meninas acesso a smartphones. Além disso, pesquisas por telefone com jovens de 19 anos durante a pandemia mostraram que, enquanto 70% das mulheres jovens na Etiópia passaram a dedicar mais tempo a tarefas domésticas, entre os homens esse percentual era 35%. No Peru, 42% das mulheres adolescentes passaram a dedicar mais tempo ao cuidado de crianças, enquanto entre as mulheres e entre os homens jovens esse percentual foi 26%.

Para a Unesco, o combate às desigualdades de gênero deve ser feito considerando os diversos dados disponíveis e envolvendo diversos atores sociais, como políticos, pais, comunidades, empresas e líderes religiosos.

"A reforma da igualdade de gênero na educação não pode ser feita apenas pelo governo, ela requer a atenção de todos os atores", assinalou a organização.

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